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COP30 em Belém: entre a Zona Azul, a Cúpula dos Povos e a Queda do CEO

  • 24 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

Flavio Barollo: "Em novembro de 2025 estive em Belém para acompanhar a COP30 como delegado integrante da delegação brasileira, a partir de convite e credenciamento do Governo Federal, com acesso à Zona Azul, espaço oficial da conferência da ONU sobre mudança do clima.


Minha ida à COP30 fazia parte também de uma pesquisa artística e política que venho desenvolvendo com o coletivo (se)cura humana, em torno da crise climática, da água, dos territórios, do extrativismo e das contradições presentes na chamada transição verde.


Durante os dias em Belém, transitei por diferentes espaços da conferência. Na Zona Azul, acompanhei debates, eventos paralelos, manifestações, negociações e a presença simultânea de governos, empresas, organizações internacionais, movimentos sociais e representantes de povos indígenas.


Uma das impressões mais fortes foi justamente o contraste entre a estrutura institucional da COP e aquilo que acontecia fora dela. A Zona Azul, altamente controlada, climatizada e organizada como uma grande feira internacional, muitas vezes parecia distante da dimensão territorial e concreta da crise climática.


Esse contraste se tornou ainda mais evidente na Cúpula dos Povos, espaço que reuniu movimentos sociais, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, organizações populares e ativistas de diferentes partes do mundo.


Ali, a discussão climática aparecia ligada de forma muito mais direta à terra, à água, à reforma agrária, à agroecologia, à soberania alimentar, à energia, ao transporte, ao saneamento, aos direitos territoriais e à defesa dos bens comuns.


Foi entre esses dois territórios que desenvolvi minhas intervenções artísticas durante a COP30.


Uma delas foi a presença do CEO Secura, personagem criado pelo (se)cura humana como uma sátira ao discurso empresarial sobre sustentabilidade e transição energética.



O CEO assume sem constrangimento a lógica do capital: fala de mineração, minerais críticos, petróleo, consumo, inteligência artificial, data centers e expansão econômica como oportunidades de negócio. Sua fala leva ao limite discursos que muitas vezes aparecem de maneira mais sofisticada dentro das próprias agendas climáticas.


Depois de assistir em Belém a A Queda do Céu, relacionado ao pensamento de Davi Kopenawa, surgiu também a provocação da Queda do CEO.


No vídeo realizado durante a COP30, o personagem afirma que sua queda dificilmente acontecerá dentro das negociações oficiais. O que realmente poderia ameaçá-lo seria justamente aquilo que encontrava força na Cúpula dos Povos: organização popular, articulação entre territórios e movimentos e a defesa da água, da terra, da energia e da alimentação como direitos e bens comuns.


Minha passagem pela COP30 acabou sendo, portanto, menos uma tentativa de encontrar respostas definitivas e mais uma experiência de observação, registro e intervenção.


Circular entre a Zona Azul e a Cúpula dos Povos permitiu perceber duas formas muito diferentes de imaginar a resposta à crise climática.


De um lado, negociações internacionais, metas, financiamento, mercados, inovação tecnológica e transição energética.


Do outro, territórios, movimentos sociais e comunidades discutindo quem controla a terra, a água, a energia e as condições concretas da vida.


Foi nesse intervalo que procurei atuar artisticamente.


Não para representar a COP30 de fora, mas para atravessá-la, registrar suas contradições e produzir, através da performance, algumas perguntas sobre que transição estamos construindo e quem realmente poderá decidir seus caminhos."



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